Ficar doente já é uma situação desconfortável. Quando isso acontece em outro país, com regras diferentes e um idioma que nem sempre dominamos, surgem dúvidas muito práticas: devo procurar uma clínica ou um hospital? Quanto vou pagar? Preciso do My Number? Posso ir diretamente a um especialista?
O Japão possui um sistema de saúde baseado em seguros públicos. Diferentemente do SUS brasileiro, o atendimento médico não é simplesmente gratuito no momento de uso. Quem vive no país e se enquadra nas regras participa de um sistema de seguro e, quando utiliza tratamentos cobertos, normalmente paga apenas uma parte do custo.
Neste guia, vamos entender como funciona essa estrutura, quais são os principais seguros, como procurar atendimento, quanto o paciente costuma pagar, o que mudou com o My Number e o que fazer em situações de emergência.
Como funciona o sistema de saúde no Japão
O Japão mantém um sistema de cobertura pública de saúde baseado no princípio do 国民皆保険 (Kokumin Kaihoken), expressão utilizada para descrever a cobertura universal por seguros de saúde.
Na prática, isso significa que a maior parte das pessoas residentes no país está vinculada a algum sistema público de seguro médico.
O funcionamento é diferente do modelo do SUS brasileiro. No Japão, o segurado paga contribuições regularmente e, quando procura atendimento, normalmente também participa de uma parte das despesas médicas.
Para a maioria dos adultos em idade de trabalho, essa participação corresponde a 30% dos procedimentos cobertos pelo seguro. O restante é financiado pelo sistema de saúde.
Outro princípio importante é o chamado free access. De forma geral, o paciente possui liberdade para escolher onde procurar atendimento. Isso não significa, porém, que começar por um grande hospital seja sempre o caminho mais adequado. O próprio sistema procura organizar o atendimento entre clínicas locais, hospitais e instituições de alta complexidade.
Os valores dos procedimentos cobertos também não são definidos livremente por cada clínica ou hospital. O Japão utiliza uma tabela nacional de remuneração médica, revisada periodicamente, que estabelece quanto os serviços cobertos pelo seguro podem cobrar.
A combinação dessas características ajuda a entender a lógica do sistema japonês: seguro obrigatório para quem se enquadra nas regras, liberdade de escolha da instituição e participação do paciente nos custos cobertos.
Algumas regras importantes mudaram recentemente
A antiga carteira convencional de seguro de saúde deixou de ser o documento padrão. Atualmente, quem utiliza o sistema apresenta principalmente o マイナ保険証 (Maina Hokenshō) ou o 資格確認書 (Shikaku Kakuninsho).
Em agosto de 2026 também entraram em vigor mudanças no sistema de despesas médicas elevadas, incluindo novos limites e uma proteção anual para determinados pacientes em tratamento prolongado.
Outra mudança ocorreu em outubro de 2026, quando foi eliminado o antigo requisito de remuneração mensal mínima de 88 mil ienes para determinados trabalhadores de jornada reduzida entrarem no seguro social.
Quais são os principais seguros de saúde?
Para a maior parte dos brasileiros que vivem no Japão, dois nomes aparecem com frequência: 健康保険 (Kenkō Hoken) e 国民健康保険 (Kokumin Kenkō Hoken).
É comum também ouvir a expressão “Shakai Hoken”. Ela não está errada no cotidiano, mas precisa ser entendida corretamente.
健康保険 — Kenkō Hoken
O 健康保険 (Kenkō Hoken) é o seguro de saúde dos trabalhadores empregados que se enquadram nas regras do sistema.
Ele faz parte do conjunto normalmente chamado de 社会保険 (Shakai Hoken). O termo Shakai Hoken é mais amplo e também envolve outros componentes da seguridade social, entre eles o 厚生年金 (Kōsei Nenkin), previdência dos empregados.
Por isso, quando alguém diz “a empresa desconta meu Shakai Hoken”, normalmente está se referindo a um conjunto de contribuições sociais, e não somente ao seguro médico.
No caso do Kenkō Hoken, a contribuição é calculada conforme regras do sistema e costuma ser dividida entre trabalhador e empregador.
Na Kyōkai Kenpo, que atende principalmente trabalhadores e famílias de pequenas e médias empresas, a taxa média nacional de seguro de saúde em 2026 é de 9,9%, embora a taxa efetiva varie conforme a filial da prefeitura e a situação do segurado.
Não é necessário decorar essa porcentagem para entender o artigo. O ponto importante é saber que o valor descontado no salário não corresponde à mesma coisa que a parcela paga quando você vai ao médico.
Quer entender onde o seguro de saúde e os outros descontos sociais aparecem no salário? Veja nosso guia sobre como entender o holerite no Japão.
国民健康保険 — Kokumin Kenkō Hoken
O 国民健康保険 (Kokumin Kenkō Hoken), muitas vezes chamado simplesmente de “Kokumin Hoken”, atende pessoas que residem no Japão e não estão incluídas em outro seguro médico aplicável.
Isso pode ocorrer com trabalhadores autônomos, pessoas que deixaram determinado emprego ou residentes que, por sua situação profissional, não participam do seguro de saúde dos empregados.
O MHLW determina que pessoas com endereço no Japão entram no Kokumin Hoken quando não pertencem a outro seguro, não recebem assistência pública e não estão em determinadas categorias excluídas. Estrangeiros em situação de curta permanência, por exemplo, ficam fora desse enquadramento.
Quando alguém passa a ter ou deixa de ter a condição de segurado do Kokumin Hoken, normalmente precisa comunicar o município em até 14 dias.
O valor também não é igual em todo o país. O sistema é administrado localmente e a cobrança depende de elementos como renda, composição familiar e regras do município.
| Situação comum | Sistema | Onde aparece |
|---|---|---|
| Trabalhador empregado enquadrado no seguro social | 健康保険 Kenkō Hoken |
Empresa / seguradora |
| Pessoa sem outro seguro público aplicável | 国民健康保険 Kokumin Kenkō Hoken |
Prefeitura / município |
| Pessoa sem My Number usado como seguro | 資格確認書 Shikaku Kakuninsho |
Emitido pelo segurador |
Quanto o paciente paga quando vai ao médico?
Uma das maiores dúvidas de quem chega ao Japão é simples: se eu já pago o seguro todos os meses, por que preciso pagar novamente na clínica?
Porque são despesas diferentes.
A contribuição mensal mantém a pessoa vinculada ao seguro. Já a 自己負担 (Jiko Futan) é a parcela do custo médico que fica sob responsabilidade do paciente quando ele utiliza um serviço coberto.
Para a maioria dos residentes com menos de 70 anos, essa participação é de 30%.
Antes da idade de escolarização obrigatória, a participação normal é de 20%. Entre 70 e 74 anos, a regra geral é de 20%, enquanto pessoas com renda equivalente à da população ativa podem pagar 30%.
A partir dos 75 anos, a participação costuma ser de 10%, 20% ou 30%, dependendo principalmente da renda.
| Faixa | Participação normal do paciente |
|---|---|
| Antes da idade escolar obrigatória | 20% |
| Em regra, até 69 anos | 30% |
| 70 a 74 anos | Normalmente 20%, podendo chegar a 30% |
| 75 anos ou mais | 10%, 20% ou 30%, conforme a situação |
Um adulto sujeito à coparticipação de 30%, por exemplo, pagaria aproximadamente ¥3.000 se os procedimentos cobertos realizados naquela ocasião totalizassem ¥10.000.
Mas existe uma ressalva importante: os 30% se aplicam aos serviços cobertos pelo seguro.
Quartos particulares escolhidos pelo paciente, determinados tratamentos opcionais, materiais específicos e alguns serviços fora da cobertura podem gerar cobrança separada.
Por isso, “tenho seguro” não significa que absolutamente qualquer procedimento médico custará apenas 30%.
Como ir ao médico no Japão
Na maioria das situações comuns, o processo começa procurando uma clínica adequada ao problema.
Uma pessoa com sintomas respiratórios ou mal-estar geral pode procurar uma 内科 (Naika), medicina interna. Problemas de pele costumam ser tratados na 皮膚科 (Hifuka), enquanto crianças são normalmente atendidas na 小児科 (Shōnika).
Depois de encontrar a instituição, o primeiro ponto de contato costuma ser o 受付 (Uketsuke), a recepção.
É ali que o paciente apresenta o comprovante do seguro, informa se é sua primeira consulta e recebe orientações.
Na primeira visita, é comum preencher um 問診票 (Monshinhyō), questionário sobre sintomas, medicamentos em uso, alergias, doenças anteriores e outras informações importantes.
Em seguida acontece a 診察 (Shinsatsu), a consulta ou avaliação médica.
Dependendo do problema, exames simples podem ser realizados na própria clínica. Quando são necessários recursos que a unidade não possui, o paciente pode receber um encaminhamento para outra instituição.
Depois da consulta, o pagamento normalmente ocorre na própria clínica ou hospital. Caso exista medicamento prescrito, o paciente recebe uma 処方箋 (Shohōsen) e segue para uma farmácia.
Como uma consulta costuma acontecer

Clínica ou hospital: onde procurar atendimento?
Clínicas são muito comuns nos bairros japoneses e costumam ser o primeiro ponto de atendimento para problemas que não são emergências.
Você encontrará com frequência palavras como クリニック (Kurinikku) ou 診療所 (Shinryōjo).
Já 病院 (Byōin) significa hospital.
Uma diferença importante não está apenas no tamanho do prédio. Hospitais maiores concentram recursos para internações, cirurgias, tratamentos especializados e exames mais complexos. Clínicas cuidam de grande parte das consultas do cotidiano.
Por isso, diante de sintomas comuns, procurar inicialmente uma clínica adequada costuma ser mais simples.
O sistema japonês também incentiva a ideia de possuir um かかりつけ医 (Kakaritsuke-i), médico ou serviço de referência que acompanha o paciente e pode orientá-lo quando existe necessidade de atendimento mais especializado.
Isso não elimina a liberdade de escolha do paciente, mas ajuda a organizar melhor o fluxo entre atendimento local e grandes hospitais.
Como encontrar a especialidade certa
Alguns nomes aparecem com frequência:
内科 (Naika) — medicina interna
小児科 (Shōnika) — pediatria
皮膚科 (Hifuka) — dermatologia
眼科 (Ganka) — oftalmologia
耳鼻咽喉科 (Jibi Inkōka) — otorrinolaringologia
婦人科 (Fujinka) — ginecologia
整形外科 (Seikei Geka) — ortopedia

Para encontrar instituições próximas, existe o 医療情報ネット (Iryō Jōhō Net), conhecido como ナビイ (Navii).
O sistema oficial permite procurar clínicas, hospitais, dentistas e farmácias por localização, especialidade, horário e até idiomas informados pela instituição. Também permite localizar unidades abertas naquele momento ou com atendimento noturno e em feriados.
O que é a 紹介状 e por que ela pode economizar dinheiro
O Japão permite que o paciente escolha onde procurar atendimento, mas existe uma diferença importante quando se trata de determinados hospitais de grande porte.
Nessas instituições, ir diretamente à primeira consulta sem uma carta de encaminhamento pode gerar uma cobrança adicional.
Essa carta recebe o nome de 紹介状 (Shōkaijō).
Ela normalmente é emitida pelo médico que fez a primeira avaliação e informa ao hospital o motivo do encaminhamento, resultados já obtidos e outras informações relevantes.
Em grandes hospitais abrangidos pela regra, uma primeira consulta sem encaminhamento pode gerar cobrança adicional de pelo menos ¥7.000, além das despesas médicas normais. Existem exceções, inclusive em determinadas situações de emergência.
Japonês do dia a dia
Carta de encaminhamento
紹介状
Shōkaijō
Carta utilizada por um médico para encaminhar o paciente a outro profissional ou hospital.
Caso uma clínica entenda que seu problema exige avaliação em um hospital maior, pergunte se será emitida uma 紹介状.
My Number e o seguro de saúde em 2026
Esta é uma das partes em que artigos antigos sobre saúde no Japão ficaram rapidamente desatualizados.
Desde dezembro de 2024, novas carteiras convencionais de seguro deixaram de ser emitidas. A validade das antigas carteiras terminou, em regra, em dezembro de 2025.
Ainda existia uma tolerância temporária para pessoas que comparecessem com uma carteira vencida sem perceber, mas essa medida terminou em 31 de julho de 2026.
Atualmente, existem duas formas principais de comprovar a cobertura.

マイナ保険証 — Maina Hokenshō
É o My Number Card registrado para uso como comprovante do seguro de saúde.
Nas instituições preparadas para o sistema, o cartão é utilizado no leitor instalado na recepção.
Além de confirmar a cobertura, o sistema pode permitir, mediante as autorizações correspondentes, o uso de determinadas informações disponíveis eletronicamente, como dados de medicamentos e alguns registros relacionados ao atendimento.
Isso não significa que qualquer médico tenha acesso irrestrito a todo o histórico médico do paciente.
資格確認書 — Shikaku Kakuninsho
Quem não possui My Number Card ou não registrou o cartão para utilização como seguro pode usar o 資格確認書 (Shikaku Kakuninsho).
Esse documento é emitido pelo segurador e permite receber atendimento coberto conforme a participação normal do paciente.
Portanto, não ter o My Number Card não significa ficar automaticamente sem acesso ao seguro público.
Há ainda o documento chamado 資格情報のお知らせ (Shikaku Jōhō no Oshirase), utilizado para informar os dados da cobertura. Ele não deve ser confundido com o 資格確認書. Em regra, o aviso sozinho não substitui o documento necessário para atendimento.
Receita médica e farmácia no Japão
Depois da consulta, o médico pode entregar uma 処方箋 (Shohōsen), a receita médica.
Na maioria das situações, ela é levada a uma 薬局 (Yakkyoku), farmácia que trabalha com medicamentos prescritos.
Um detalhe simples pode evitar problemas: uma receita comum é válida, em regra, por quatro dias contando o próprio dia da emissão.
Finais de semana e feriados também contam.
Assim, uma receita emitida na sexta-feira normalmente terá sexta, sábado, domingo e segunda-feira dentro do período de quatro dias.
Em circunstâncias especiais, o médico pode indicar prazo diferente na própria receita.
O Japão também está ampliando a utilização da 電子処方箋 (Denshi Shohōsen), receita eletrônica. A receita em papel, porém, continua sendo utilizada.

Emergências médicas: quando ligar 119
Em uma emergência que realmente exija ambulância, o número utilizado no Japão é 119.
É o mesmo número utilizado para incêndios.
Ao atender a chamada, o operador precisa identificar a situação e localizar o paciente. Por isso, podem ser solicitadas informações como endereço, o que aconteceu, idade aproximada e telefone de contato.
Em uma situação grave, não é necessário dominar japonês avançado. Informar claramente que se trata de uma emergência e fornecer a localização já ajuda o atendimento.
救急です。
Kyūkyū desu.
É uma emergência médica.
住所は〇〇です。
Jūsho wa 〇〇 desu.
O endereço é 〇〇.
Em situações claramente graves, ligue diretamente para 119.
Para casos em que a pessoa não sabe se realmente precisa de uma ambulância, existe também o #7119, serviço de orientação de emergência.
Ele permite conversar com profissionais como médicos, enfermeiros e paramédicos para receber orientação sobre a necessidade de atendimento imediato.
Entretanto, o serviço ainda não está presente em todo o Japão. Em 2026, o Fire and Disaster Management Agency informa funcionamento em 42 regiões.
E se a conta médica ficar muito alta?
Uma participação de 30% pode ser relativamente administrável em uma consulta simples. O problema aparece quando o tratamento custa centenas de milhares ou até milhões de ienes.
Para evitar que despesas médicas cobertas provoquem um peso financeiro excessivo, existe o 高額療養費制度 (Kōgaku Ryōyōhi Seido).
O sistema estabelece um limite de participação do paciente de acordo principalmente com idade e renda.
Quando as despesas cobertas ultrapassam esse limite, a parcela excedente pode ser coberta ou reembolsada pelo sistema.
Em agosto de 2026, o mecanismo passou por uma nova revisão.
Os limites mensais foram atualizados e foi criado também um limite anual, calculado no período de agosto até julho do ano seguinte, com o objetivo de reforçar a proteção de pessoas submetidas a tratamentos prolongados.
O MHLW fornece um exemplo útil.
Para uma pessoa com menos de 70 anos e renda anual aproximada entre ¥3,7 milhões e ¥5,1 milhões, um tratamento coberto cujo custo médico total seja de ¥1 milhão teria uma participação final de aproximadamente ¥93 mil pelas regras vigentes desde agosto de 2026.
Sem o mecanismo, uma simples aplicação dos 30% resultaria em ¥300 mil.
É importante entender que esse é apenas um exemplo. O limite real muda conforme renda, idade e situação do segurado.
MyNa Hokenshō pode facilitar gastos médicos elevados
Ao utilizar o マイナ保険証 em instituições compatíveis, informações necessárias para aplicar o limite de despesas médicas podem ser verificadas eletronicamente. Isso pode evitar que o paciente precise adiantar uma quantia muito elevada para pedir reembolso posteriormente.
O seguro cobre tudo?
Não.
A coparticipação de 30% não significa que qualquer serviço médico do Japão esteja incluído nessa regra.
A cobertura pública se aplica aos serviços considerados tratamentos cobertos pelo seguro.
Alguns gastos podem seguir regras diferentes ou permanecer fora da cobertura normal. É o caso de determinados serviços opcionais, tratamentos particulares e alguns custos escolhidos pelo próprio paciente.
Em uma internação, por exemplo, escolher um quarto particular pode gerar uma cobrança adicional que não entra automaticamente no mesmo cálculo do tratamento médico.
Exames preventivos e determinados serviços relacionados à gravidez e ao parto também possuem regras próprias.
Isso não significa que não exista ajuda pública.
Muitos desses serviços contam com benefícios, subsídios municipais ou programas específicos. Assistência médica infantil é um bom exemplo: municípios japoneses mantêm mecanismos próprios que podem reduzir significativamente o valor pago pelas famílias.
Como essas regras variam por cidade e situação pessoal, elas serão melhor tratadas em artigos próprios do Japão Real.
O que estrangeiros precisam observar
O sistema médico japonês não possui uma versão separada destinada a brasileiros.
Uma vez enquadrado corretamente no seguro correspondente, o residente estrangeiro utiliza a mesma estrutura aplicável aos demais segurados.
O que exige atenção são as situações de mudança.
Mudou ou perdeu o emprego?
Se você estava vinculado ao Kenkō Hoken da empresa e deixa esse emprego, não presuma que a cobertura continuará automaticamente da mesma forma.
É necessário verificar qual será o próximo enquadramento.
Dependendo da situação, a pessoa poderá entrar no Kokumin Kenkō Hoken do município ou utilizar outra possibilidade prevista pelo sistema.
Quando houver obrigação de entrar no Kokumin Hoken, o procedimento normalmente deve ser realizado em até 14 dias.
Se a mudança no seguro aconteceu porque você saiu de uma empresa e está procurando uma nova oportunidade, confira também como buscar emprego no Japão e onde procurar vagas.
Mudou de município?
O Kokumin Kenkō Hoken é administrado localmente. Portanto, uma mudança de cidade pode exigir procedimentos relacionados à saída do sistema anterior e inscrição no novo município.
Não fala japonês?
Procure a instituição antes da consulta.
O Navii permite pesquisar estabelecimentos que informam capacidade de atendimento em idiomas estrangeiros.
Isso é mais seguro do que presumir que um grande hospital terá obrigatoriamente intérprete em português.
Também é útil manter no celular uma lista com medicamentos em uso, alergias, doenças anteriores e informações que possam ser necessárias durante uma consulta.
Resumo rápido
O que lembrar antes de precisar de atendimento
- Saiba se você está no 健康保険 ou no 国民健康保険.
- Para a maioria dos adultos em idade de trabalho, a coparticipação é de 30% nos serviços cobertos.
- Atualmente, use o マイナ保険証 ou o 資格確認書 para comprovar a cobertura.
- Para problemas comuns, uma clínica costuma ser o primeiro caminho mais simples.
- Grandes hospitais podem cobrar valor adicional quando o paciente chega sem 紹介状.
- A 処方箋 normalmente vale quatro dias, incluindo o dia da emissão.
- Em uma emergência real, ligue 119.
- O 高額療養費制度 pode limitar gastos médicos cobertos muito elevados.
Saúde é apenas uma das áreas que precisam ser organizadas por quem mora ou pretende morar no país. Para ter uma visão mais ampla sobre trabalho, moradia, documentação, transporte e cotidiano, consulte o Guia Essencial: Vida no Japão.
Conclusão
O sistema fica muito mais simples quando você conhece a lógica.
Para quem chega do Brasil, pagar seguro todos os meses e ainda ter uma coparticipação na consulta pode parecer estranho. No entanto, depois de entender a diferença entre contribuição, cobertura e participação do paciente, grande parte da burocracia deixa de ser um mistério.
Saber qual seguro você possui, reconhecer documentos como o マイナ保険証 e o 資格確認書 e entender quando procurar uma clínica ou um hospital ajuda a evitar gastos desnecessários e reduz a insegurança justamente quando você mais precisa de atendimento.
Não é necessário conhecer todas as regras médicas do Japão. Mas conhecer o caminho básico antes de ficar doente já faz uma diferença enorme no dia a dia.
Dúvidas sobre o sistema de saúde no Japão
Confira respostas para algumas das dúvidas mais comuns de brasileiros que precisam utilizar hospitais, clínicas e seguros de saúde no Japão.
O sistema de saúde no Japão é gratuito?
Não. O Japão funciona principalmente por meio de seguros públicos de saúde. O segurado paga contribuições e também uma parcela dos tratamentos cobertos quando utiliza o sistema.
Quanto um adulto normalmente paga em uma consulta?
Para a maioria dos adultos com menos de 70 anos, a coparticipação normal é de 30% dos procedimentos cobertos pelo seguro.
Qual é a diferença entre Kenkō Hoken e Kokumin Hoken?
O 健康保険 é o seguro de saúde dos empregados que se enquadram nas regras do sistema. O 国民健康保険 atende, em geral, residentes que não pertencem a outro seguro público aplicável.
Estrangeiros também precisam ter seguro de saúde?
Sim, quando se enquadram nas regras correspondentes. A nacionalidade não cria um sistema médico separado para estrangeiros residentes.
Posso ir diretamente a um hospital grande?
Em princípio, o Japão permite liberdade de escolha. Porém, determinados hospitais grandes cobram um valor adicional quando a primeira consulta ocorre sem 紹介状, a carta de encaminhamento.
Preciso obrigatoriamente ter My Number Card?
Não. Quem não utiliza o My Number Card como マイナ保険証 pode utilizar o 資格確認書 emitido pelo segurador para comprovar a cobertura.
Quanto tempo vale uma receita médica?
Em regra, a 処方箋 vale quatro dias contando o próprio dia da emissão. Sábados, domingos e feriados também entram nessa contagem.
Qual número devo ligar para chamar uma ambulância?
Em uma emergência médica que realmente exija ambulância, ligue para 119.
O #7119 funciona em todo o Japão?
Não. O serviço está sendo ampliado, mas ainda depende da região. Ele pode ajudar quando existe dúvida sobre a necessidade de chamar ambulância ou procurar atendimento imediatamente.
O que acontece se o tratamento ficar muito caro?
O 高額療養費制度 limita a participação do paciente em despesas médicas cobertas conforme critérios como idade e renda. O sistema foi atualizado em agosto de 2026.
Fontes e referências
Este artigo foi elaborado e revisado principalmente com base em informações publicadas por órgãos oficiais do Governo do Japão. Foram priorizadas as regras vigentes e atualizações disponíveis até outubro de 2026.
Ver fontes consultadas
- Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão (MHLW) — informações oficiais sobre o sistema de seguro de saúde, coparticipação, 国民健康保険, 高額療養費制度, receitas médicas e atendimento hospitalar.
- Digital Agency — デジタル庁 — informações oficiais sobre マイナ保険証, 資格確認書 e utilização do My Number Card como comprovante do seguro de saúde.
- Japan Pension Service — 日本年金機構 — regras de enquadramento no 健康保険 e 厚生年金, incluindo alterações para trabalhadores de jornada reduzida vigentes desde outubro de 2026.
- Japan Health Insurance Association — 全国健康保険協会 — informações sobre o seguro de saúde dos empregados, taxas de contribuição e funcionamento da Kyōkai Kenpo.
- Fire and Disaster Management Agency — 総務省消防庁 — orientações oficiais sobre ambulâncias, número 119 e serviço de aconselhamento #7119.
- 医療情報ネット — Navii — sistema oficial para localizar hospitais, clínicas, farmácias, especialidades, horários de atendimento e instituições que informam atendimento em idiomas estrangeiros.
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Colaboradora do Japão Real na área de Família, Educação e Cotidiano, com conteúdos voltados à vida de brasileiros e suas famílias no Japão.