Entender como funciona a educação no Japão é uma das principais preocupações de famílias brasileiras que vivem no país ou planejam se mudar com os filhos. O sistema possui etapas, regras e procedimentos próprios, e muitas decisões começam antes mesmo da entrada no Shōgakkō.
Creches, jardins de infância, escolas públicas, matrícula de crianças estrangeiras, custos, apoio para quem ainda não domina o japonês e caminhos depois do Chūgakkō fazem parte dessa jornada.
Neste guia, você encontrará uma visão prática do sistema educacional japonês, com informações verificadas em fontes oficiais e atenção especial às dúvidas mais comuns de brasileiros que vivem no Japão.
Como funciona o sistema educacional no Japão?
Para uma família brasileira, entender a escola japonesa começa por uma diferença básica: as etapas de ensino, os nomes utilizados e até o calendário escolar não seguem exatamente o modelo conhecido no Brasil.
O sistema japonês é organizado, de forma geral, em seis anos de escola primária, três anos de Chūgakkō, três anos de Ensino Médio e quatro anos de universidade. Os nove primeiros anos — seis de Shōgakkō e três de Chūgakkō — correspondem à educação obrigatória para crianças japonesas.
Para famílias estrangeiras residentes no país, existe um ponto particularmente importante. Embora a obrigação legal de frequência escolar seja tratada de maneira diferente para crianças de nacionalidade estrangeira, o Ministério da Educação do Japão informa que, quando os responsáveis desejam matriculá-las em escolas públicas de Shōgakkō ou Chūgakkō, elas podem ser recebidas gratuitamente e, em princípio, nas mesmas condições das crianças japonesas. Essa orientação também aparece no material oficial em português disponibilizado para famílias estrangeiras.
Isso significa que uma família brasileira que pretende criar os filhos no Japão não precisa enxergar a escola japonesa como um sistema reservado aos cidadãos japoneses.
Da educação infantil à universidade
Antes do ingresso na escola primária, as famílias encontram diferentes modalidades de educação e cuidado infantil.
Entre os nomes que aparecem com frequência estão 保育園 (Hoikuen), 幼稚園 (Yōchien) e 認定こども園 (Nintei Kodomoen). Embora sejam frequentemente agrupados na ideia de “creche” ou “pré-escola” em português, eles não são exatamente a mesma coisa — uma diferença que veremos em detalhes na próxima seção.
A educação escolar propriamente dita começa com o 小学校 (Shōgakkō), que possui seis anos. Depois, o aluno segue para o 中学校 (Chūgakkō), com duração de três anos. O material oficial destinado às famílias estrangeiras também apresenta essa organização e informa que a escola frequentada normalmente é determinada de acordo com o endereço residencial.
Depois do Chūgakkō vem o 高等学校 (Kōtō Gakkō), normalmente chamado de 高校 (Kōkō) no cotidiano. Essa etapa corresponde, aproximadamente, ao Ensino Médio brasileiro e geralmente dura três anos.
A partir daí, os caminhos se diversificam. O estudante pode seguir para uma universidade (大学 – Daigaku), uma instituição de formação profissional ou outras modalidades de ensino superior e técnico.
Para famílias brasileiras, compreender essa sequência desde cedo é especialmente útil porque decisões tomadas durante o Chūgakkō podem influenciar os caminhos disponíveis depois da escolaridade obrigatória.

O ano letivo começa em abril
Outra diferença importante em relação ao Brasil está no calendário.
Nas escolas japonesas, o ano letivo normalmente começa em abril e termina em março do ano seguinte. O guia oficial do MEXT destinado a estrangeiros explica ainda que o ano escolar é dividido em períodos, embora a organização concreta do calendário possa variar entre escolas e regiões.
Esse detalhe parece simples, mas tem consequências práticas.
Uma família que chega ao Japão no segundo semestre do calendário brasileiro, por exemplo, poderá encontrar a escola japonesa já no meio do ano letivo. Além disso, a série em que uma criança estrangeira será matriculada é analisada considerando sua idade e situação escolar.
Por isso, ao planejar uma mudança para o Japão com crianças, vale procurar a prefeitura e o órgão municipal de educação o quanto antes, em vez de esperar o início de abril.
A escola pública não significa ausência total de despesas
Nas escolas públicas de Shōgakkō e Chūgakkō, não são cobradas mensalidades escolares, e os livros didáticos utilizados nas disciplinas são fornecidos gratuitamente.
Isso, porém, não significa que estudar seja completamente sem custos.
O próprio material oficial do MEXT informa que as famílias podem ter despesas relacionadas à merenda escolar, materiais, atividades e outros custos necessários à vida escolar.
Para famílias que enfrentam dificuldades financeiras, existe ainda o sistema de auxílio escolar conhecido como 就学援助 (Shūgaku Enjo). Ele pode ajudar com determinadas despesas, mas os critérios e procedimentos são estabelecidos pelos municípios. Por isso, a elegibilidade deve ser verificada junto à prefeitura ou à Secretaria Municipal de Educação.
Esse é um bom exemplo de uma regra que merece atenção no Japão: o sistema possui uma estrutura nacional, mas vários procedimentos práticos são administrados localmente.
Japonês do dia a dia
Escola primária
小学校
Shōgakkō
É a primeira etapa da educação obrigatória japonesa e possui duração de seis anos.
Se você tiver filhos em idade escolar, 小学校 (Shōgakkō) será uma das primeiras palavras que encontrará nos documentos enviados pela prefeitura. Ao mudar de endereço, também é importante informar a situação escolar da criança, pois a escola pública indicada normalmente está relacionada à região onde a família reside.
Educação infantil no Japão: Hoikuen, Yōchien e Nintei Kodomoen
Antes do ingresso no Shōgakkō, as famílias no Japão encontram diferentes opções de educação e cuidado infantil. É justamente nessa fase que três nomes aparecem com frequência: Hoikuen, Yōchien e Nintei Kodomoen.
Para uma família brasileira, eles podem parecer simplesmente diferentes tipos de “creche” ou “pré-escola”. Na prática, porém, possuem funções e formas de utilização diferentes.
Essa distinção importa principalmente quando os responsáveis trabalham em período integral, precisam de horários mais extensos de atendimento ou estão procurando uma instituição com maior foco educacional.
Hoikuen: quando a família precisa de cuidado infantil
O 保育所 (Hoikusho) — frequentemente chamado no cotidiano de 保育園 (Hoikuen) — está associado ao cuidado de crianças cujas famílias necessitam de serviço de creche.
Para utilizar determinados serviços, a família pode precisar do reconhecimento municipal da chamada necessidade de cuidado infantil, ou 保育の必要性 (Hoiku no hitsuyōsei). Trabalho dos responsáveis é um dos fatores que podem ser considerados nesse processo. Os requisitos concretos devem ser confirmados no município onde a família reside.
Essa característica torna o Hoikuen especialmente relevante para famílias em que os responsáveis trabalham e precisam conciliar a jornada profissional com os cuidados da criança.
Mas é importante não transformar isso em uma regra simplista como “Hoikuen é para pais que trabalham”. A admissão e a certificação dependem das condições previstas pelo sistema e dos procedimentos municipais.
Para brasileiros que vivem no Japão, portanto, a prefeitura — 市役所 (Shiyakusho) ou 区役所 (Kuyakusho), dependendo da região — costuma ser um dos primeiros lugares a consultar sobre inscrições, disponibilidade de vagas e critérios.

Yōchien: a educação antes do Shōgakkō
O 幼稚園 (Yōchien) corresponde ao jardim de infância dentro do sistema educacional japonês.
Embora também receba crianças antes da entrada no Shōgakkō, sua função não deve ser confundida automaticamente com a de um Hoikuen.
Essa diferença também aparece na forma como determinadas regras de gratuidade são aplicadas. No caso do Yōchien, a Children and Families Agency informa que a gratuidade pode começar a partir do momento em que a criança completa três anos, considerando a idade de ingresso permitida nesse tipo de instituição.
Alguns Yōchien também oferecem 預かり保育 (Azukari Hoiku), um período adicional de cuidado antes ou depois do horário regular. Para que esse serviço adicional seja abrangido pela política nacional de gratuidade, existem condições específicas, incluindo o reconhecimento municipal da necessidade de cuidado infantil e limites para o benefício.
Para famílias em que os responsáveis trabalham, esse detalhe pode fazer bastante diferença na organização da rotina.
Nintei Kodomoen: educação e cuidado infantil no mesmo sistema
Existe ainda uma terceira opção importante: o 認定こども園 (Nintei Kodomoen).
De forma simplificada, trata-se de uma instituição que reúne funções de educação infantil e cuidado infantil.
A Children and Families Agency descreve diferentes modalidades de Nintei Kodomoen. Há, por exemplo, instituições originadas de Yōchien que incorporam funções de cuidado para crianças que necessitam desse atendimento e instituições originadas de Hoikusho que também recebem crianças que não apresentam a mesma necessidade de cuidado.
Para as famílias, isso cria uma alternativa que combina características tradicionalmente associadas aos dois sistemas.
Ainda assim, horários, processo de inscrição, disponibilidade e funcionamento concreto podem variar. Por isso, a comparação deve ser feita considerando as instituições disponíveis no município.
A educação infantil é realmente gratuita?
Aqui existe um detalhe importante.
Dizer simplesmente que “a creche é gratuita no Japão” seria incorreto.
A política nacional de gratuidade da educação e dos cuidados na primeira infância abrange, em regra, as mensalidades de crianças das classes de 3 a 5 anos que frequentam instituições elegíveis, incluindo Yōchien, Hoikusho e Nintei Kodomoen. Para crianças de 0 a 2 anos, a gratuidade alcança principalmente famílias isentas do imposto residencial municipal, conforme as condições do sistema.
Há ainda diferenças conforme o tipo de instituição. Em Yōchien fora de determinada modalidade do sistema nacional de apoio, por exemplo, a gratuidade possui limite de ¥25.700 por mês. Serviços não licenciados seguem outras regras e outros limites.
E mesmo quando a mensalidade está coberta, isso não significa custo zero.
A Children and Families Agency informa expressamente que despesas como transporte escolar, alimentação e eventos continuam, em princípio, sob responsabilidade dos responsáveis. Existem exceções específicas relacionadas a parte da alimentação para determinadas famílias.
Por isso, antes de escolher uma instituição, vale perguntar não apenas:
“A mensalidade é gratuita?”
Mas também:
“Quais despesas continuam sendo cobradas todos os meses?”
Para o orçamento familiar, essa segunda pergunta pode ser muito mais útil.
A disponibilidade de vagas pode ser tão importante quanto o tipo de instituição escolhido.
Os procedimentos são administrados localmente e algumas regras dependem do município e da modalidade utilizada. Por isso, famílias que precisam de Hoikuen ou Nintei Kodomoen devem procurar informações com antecedência na prefeitura, especialmente quando a matrícula precisa coincidir com o retorno ao trabalho ou uma mudança de cidade. Não é recomendável assumir que o procedimento utilizado por outra família em outra cidade será exatamente o mesmo.
Japonês do dia a dia
Creche
保育園
Hoikuen
Nome amplamente utilizado no cotidiano para instituições que oferecem cuidado infantil antes do ingresso na escola primária. Nos documentos oficiais, você também encontrará 保育所 (Hoikusho).
Se você trabalha e precisa encontrar uma instituição para cuidar de uma criança pequena durante a jornada, provavelmente encontrará 保育園 (Hoikuen) durante a pesquisa. Antes de solicitar uma vaga, consulte a prefeitura para verificar os critérios de 保育の必要性, a disponibilidade de instituições e quais documentos serão necessários.
Shōgakkō: como são os primeiros seis anos da escola no Japão?
A entrada no 小学校 (Shōgakkō) marca uma mudança importante na rotina da criança e também da família. É nessa etapa, com duração de seis anos, que começam não apenas as disciplinas regulares, mas uma série de hábitos ligados à organização, responsabilidade e convivência dentro da escola.
Para famílias brasileiras, alguns aspectos podem causar estranhamento nos primeiros meses. A criança pode ajudar a servir a própria merenda, participar da limpeza da sala, levar materiais específicos para determinadas atividades e receber comunicados escolares que exigem acompanhamento dos responsáveis.
Essas práticas não são apenas imagens populares da escola japonesa. O próprio guia do Ministério da Educação do Japão destinado a famílias estrangeiras descreve a merenda, a limpeza e outras atividades como parte da rotina escolar.
Como funciona o dia de uma criança no Shōgakkō?
A rotina varia conforme a escola, a série e o dia da semana, mas o MEXT informa que uma aula no Shōgakkō geralmente possui 45 minutos. Nessa etapa, o professor responsável pela turma costuma ministrar grande parte das disciplinas, embora existam atividades e matérias que podem envolver outros professores.
O currículo nacional é definido pelas diretrizes educacionais do MEXT, conhecidas como 学習指導要領 (Gakushū Shidō Yōryō). Entre as áreas presentes no Ensino Fundamental estão língua japonesa, matemática, ciências, estudos da vida e do ambiente, música, artes, educação física, economia doméstica, atividades de língua estrangeira e estudos integrados, considerando a série e a organização curricular correspondente.
Para uma criança brasileira que ainda está aprendendo japonês, porém, existe uma diferença importante entre conseguir conversar no recreio e compreender o idioma utilizado nas aulas.
Vocabulário de matemática, ciências, instruções escritas e kanji podem exigir um período maior de adaptação. Por isso, dificuldades iniciais não devem ser interpretadas automaticamente como falta de capacidade acadêmica.

A merenda também faz parte da educação
Uma das diferenças que chama a atenção de muitas famílias brasileiras é o 給食 (Kyūshoku), a merenda escolar.
Em muitas escolas de Shōgakkō e Chūgakkō, a alimentação escolar é realizada como parte das atividades educacionais. O MEXT explica que é comum os próprios alunos participarem da distribuição da comida e da organização após a refeição.
A proposta não se limita a alimentar os estudantes. A refeição também é utilizada como oportunidade para trabalhar hábitos alimentares, saúde e convivência.
Isso não significa, porém, que a merenda seja necessariamente gratuita. O guia oficial informa que, em princípio, o custo da alimentação escolar é responsabilidade dos responsáveis. Existem programas de auxílio e políticas locais que podem alterar o custo efetivamente pago pelas famílias, portanto a situação deve ser confirmada no município.
Há outro detalhe particularmente importante para famílias estrangeiras: se a criança não puder consumir determinados alimentos por motivos de saúde ou religião, o MEXT orienta que os responsáveis conversem com o professor responsável pela turma.
Por que os alunos limpam a escola?
Outra cena característica da escola japonesa acontece depois das aulas ou em momentos definidos pela instituição: os próprios estudantes participam da limpeza.
O guia do MEXT explica que, nas escolas japonesas, os alunos dividem tarefas para limpar espaços que utilizam, como salas de aula e áreas da escola.
Para quem vem de um sistema escolar em que essa tarefa normalmente é realizada apenas por funcionários, a prática pode parecer incomum.
Dentro da rotina japonesa, porém, ela também coloca a criança em contato com responsabilidades relacionadas ao espaço coletivo.
Isso não significa que os estudantes sejam responsáveis por toda a manutenção da instituição. Trata-se de uma atividade inserida na vida escolar, com tarefas adequadas à organização de cada escola.
A participação dos responsáveis faz diferença
A adaptação ao Shōgakkō não acontece apenas dentro da sala de aula.
A família começa a receber calendários, avisos, solicitações de materiais, informações sobre eventos, horários e diferentes documentos enviados pela escola. Para responsáveis que ainda possuem dificuldade com o japonês, acompanhar essas comunicações pode se tornar uma das partes mais trabalhosas da rotina.
Por isso, é importante informar à escola desde o início quando houver dificuldade de comunicação.
O MEXT mantém materiais específicos para orientar a escolarização de crianças estrangeiras e reconhece a necessidade de apoio à adaptação escolar e à aprendizagem do japonês. A forma concreta desse suporte, entretanto, não é igual em todo o Japão: recursos e atendimento podem variar conforme a escola e a administração local.
Essa diferença será aprofundada mais adiante no artigo, quando tratarmos especificamente do apoio oferecido às crianças que ainda não dominam o idioma.
Japonês do dia a dia
Merenda escolar
給食
Kyūshoku
Refeição escolar oferecida em muitas escolas japonesas. Além de comerem juntos, os alunos frequentemente participam da distribuição e da organização da refeição.
Ao receber um documento com a palavra 給食 (Kyūshoku), verifique se ele trata do cardápio, do pagamento ou de alguma orientação alimentar. Se seu filho possui alergia ou não pode consumir determinados alimentos, não espere apenas pelo primeiro dia de aula: informe a escola e confirme antecipadamente como a situação será tratada.
Chūgakkō: o que muda nos três anos seguintes?
Depois dos seis anos de Shōgakkō, o estudante entra no 中学校 (Chūgakkō), etapa com duração de três anos que completa os nove anos da educação obrigatória japonesa.
Para muitas famílias, essa transição é percebida rapidamente. O currículo se torna mais especializado, diferentes professores assumem as disciplinas e começam a ganhar importância decisões relacionadas ao que o estudante fará depois da conclusão do Chūgakkō.
Para adolescentes estrangeiros, existe ainda outro desafio: acompanhar conteúdos acadêmicos em japonês ao mesmo tempo em que começam a pensar no próprio futuro escolar.
Por isso, essa fase merece atenção não apenas do aluno, mas também dos responsáveis.
As disciplinas ganham maior especialização
No Chūgakkō, o currículo nacional inclui japonês, estudos sociais, matemática, ciências, música, artes, educação física e saúde, tecnologia e economia doméstica, língua estrangeira, educação moral, estudos integrados e atividades especiais.
Diferentemente dos primeiros anos do Shōgakkō, em que o professor responsável pela turma assume boa parte das aulas, no Chūgakkō é comum que cada disciplina tenha seu próprio professor.
Essa mudança exige que o aluno se adapte a diferentes formas de ensino, avaliações e tarefas.
Para uma criança que cresceu no Japão, essa transição já representa uma mudança importante. Para um estudante brasileiro que chegou recentemente ao país, a dificuldade pode ser maior porque dominar o japonês utilizado em conversas cotidianas não significa necessariamente compreender textos de ciências, problemas matemáticos, kanji acadêmicos ou instruções de provas.
Essa distinção será especialmente importante quando abordarmos, mais adiante, o apoio linguístico destinado aos estudantes estrangeiros.

Bukatsu: os clubes fazem parte da vida escolar
Um termo que muitas famílias começam a ouvir com frequência nessa etapa é 部活動 (Bukatsudō), geralmente abreviado para 部活 (Bukatsu).
São atividades de clubes esportivos ou culturais realizadas pelos estudantes, como futebol, beisebol, vôlei, basquete, atletismo, música, artes e outras modalidades oferecidas pela escola.
Para muitos adolescentes, essas atividades ocupam uma parte importante da experiência escolar. Dependendo do clube e da instituição, podem existir treinos e atividades depois das aulas e participação em competições ou apresentações.
Mas existe uma mudança importante acontecendo no Japão que precisa ser considerada em um artigo atualizado em 2026.
O governo está promovendo uma reforma dos clubes escolares, com ampliação de modelos de clubes comunitários e atividades desenvolvidas fora da estrutura tradicional da escola. Uma nova diretriz nacional foi publicada em dezembro de 2025, e o ano fiscal de 2026 marca o início de um novo período de implementação dessa reforma.
Isso significa que não devemos apresentar o modelo tradicional de Bukatsu como se funcionasse da mesma maneira em todas as escolas.
A organização pode variar conforme município, escola, modalidade e avanço da transição para atividades regionais.
Para os responsáveis, a orientação mais segura é verificar diretamente com a escola como funcionam os clubes, quais atividades estão disponíveis, os horários, eventuais despesas e como está sendo conduzida essa transição na região.
No terceiro ano, o futuro depois do Chūgakkō ganha importância
A conclusão do Chūgakkō abre diferentes possibilidades.
O próprio guia oficial em português disponibilizado pelo MEXT informa que, depois dessa etapa, muitos estudantes seguem para o 高等学校 (Kōtō Gakkō), enquanto outros podem ingressar em instituições profissionalizantes ou seguir outros caminhos.
É aqui que surge uma diferença importante em relação aos nove primeiros anos de escolarização: o ingresso no Kōkō não acontece simplesmente como uma continuação automática do Chūgakkō.
Existem requisitos de ingresso e processos seletivos que variam conforme a escola e o sistema adotado.
O MEXT estabelece, por exemplo, que a conclusão do Chūgakkō é uma das formas de obter qualificação para ingresso no Ensino Médio. Também existem regras específicas para quem concluiu nove anos de educação escolar no exterior e outras situações reconhecidas pela legislação.
Para famílias brasileiras, isso torna o planejamento particularmente importante.
Se o estudante pretende continuar os estudos no Japão, é recomendável conversar com a escola sobre as alternativas disponíveis antes dos últimos meses do terceiro ano.
Para estudantes estrangeiros, orientação sobre carreira merece atenção extra
Escolher o que fazer depois do Chūgakkō já envolve muitas decisões para qualquer adolescente. Quando o estudante e seus responsáveis ainda enfrentam dificuldades com o idioma japonês, compreender escolas disponíveis, processos seletivos e documentos pode se tornar mais complicado.
O próprio MEXT reconhece essa questão.
Em suas orientações sobre estudantes estrangeiros, o Ministério destaca que dificuldades linguísticas podem fazer com que alunos e responsáveis não tenham acesso suficiente às informações necessárias para decidir os caminhos depois do Chūgakkō. Por isso, recomenda uma orientação mais cuidadosa considerando as capacidades, interesses e situação linguística do estudante e da família.
Alguns municípios também promovem encontros e orientações multilíngues voltados às famílias estrangeiras, mas isso não deve ser apresentado como um serviço disponível em todo o Japão. A oferta depende da região.
Na prática, se a família não compreender os documentos recebidos sobre o futuro escolar do adolescente, vale procurar o professor responsável pela turma e perguntar especificamente sobre 進路 (Shinro) — o caminho educacional ou profissional que o estudante pretende seguir.
Esperar até o final do terceiro ano pode tornar algumas decisões mais difíceis.
Japonês do dia a dia
Caminho escolar ou profissional
進路
Shinro
No contexto escolar, refere-se ao caminho que o estudante seguirá depois de determinada etapa: continuar os estudos, ingressar em uma escola específica, buscar formação profissional ou entrar no mercado de trabalho.
Se seu filho estiver no Chūgakkō, principalmente no terceiro ano, você provavelmente começará a encontrar a palavra 進路 (Shinro) com frequência. Quando a escola marcar uma 進路相談 (Shinro Sōdan), trata-se de uma conversa de orientação sobre os próximos passos do estudante. Se houver dificuldade com o japonês, informe a escola antecipadamente e pergunte se existe algum tipo de apoio para compreender as opções e os procedimentos.
Como matricular uma criança estrangeira em uma escola japonesa?
Para famílias brasileiras que chegam ao Japão com filhos em idade escolar, uma das primeiras dúvidas costuma ser bastante prática: onde começar a matrícula?
O procedimento é diferente daquele encontrado em muitas escolas brasileiras. Nas escolas públicas japonesas, a família normalmente precisa tratar primeiro da situação da criança junto ao município e à 教育委員会 (Kyōiku Iinkai), o órgão local responsável pela educação.
O Ministério da Educação do Japão informa que os responsáveis estrangeiros não estão sujeitos à mesma obrigação legal de escolarização aplicada aos responsáveis japoneses. Entretanto, quando desejam matricular os filhos em escolas públicas da educação obrigatória, as crianças estrangeiras são aceitas gratuitamente, assim como as crianças japonesas.
O MEXT mantém, inclusive, um guia específico de matrícula para famílias estrangeiras disponível em português.
Para brasileiros que pretendem permanecer no Japão com os filhos, conhecer esse procedimento desde o início evita atrasos e facilita o primeiro contato com a escola.
O primeiro passo normalmente é procurar o município
Depois de registrar o endereço da família, procure a prefeitura ou o órgão municipal indicado para informar que deseja matricular a criança em uma escola japonesa.
A administração municipal e a Secretaria de Educação verificam a situação da criança e orientam os responsáveis sobre os procedimentos necessários para o ingresso na escola.
O MEXT orienta as Secretarias de Educação a fornecer informações às famílias estrangeiras sobre a possibilidade de ingresso nas escolas públicas e sobre os respectivos procedimentos. O Ministério também recomenda que as autoridades utilizem as informações do registro de residentes para evitar que crianças estrangeiras em idade escolar fiquem sem acesso à educação.
Na prática, o nome e a localização exata do setor responsável podem variar conforme o município.
Por isso, ao chegar à prefeitura, uma frase simples pode ajudar:
子どもを学校に入れたいです。
Kodomo o gakkō ni iretai desu.
“Quero matricular meu filho na escola.”

Qual escola a criança frequentará?
Nas escolas públicas municipais de Shōgakkō e Chūgakkō, a escola indicada geralmente está relacionada ao endereço onde a família mora.
Isso significa que mudar de residência pode também afetar a escola correspondente à criança.
Depois dos procedimentos administrativos, os responsáveis recebem informações sobre a instituição designada e sobre os próximos passos necessários para a matrícula.
Para quem acabou de chegar do Brasil, é recomendável levar também informações sobre a escolarização anterior da criança.
O guia oficial do MEXT orienta as famílias que chegam do exterior a apresentar, quando disponíveis, documentos escolares recebidos anteriormente, como certificado de matrícula e histórico ou registros acadêmicos. Esses documentos ajudam a nova escola a compreender o percurso educacional do aluno.
Os documentos concretamente solicitados, entretanto, devem ser confirmados com o município e a escola.
Em qual série uma criança estrangeira será colocada?
Em princípio, a idade da criança é uma referência importante para determinar o ano escolar correspondente.
Mas existe uma questão relevante para estudantes que chegam do exterior com pouca proficiência em japonês ou com uma trajetória escolar diferente.
As orientações do MEXT permitem considerar, em determinadas circunstâncias, a matrícula em um ano inferior ao correspondente à idade quando isso for necessário para atender adequadamente às condições educacionais e linguísticas do estudante.
Isso não significa que toda criança estrangeira que não fala japonês será colocada em uma série inferior.
A decisão precisa considerar a situação individual do estudante, incluindo escolarização anterior, aprendizagem e domínio do idioma.
Por isso, famílias que chegam ao Japão com crianças mais velhas devem explicar claramente à Secretaria de Educação e à escola:
- qual foi a última série cursada;
- por quanto tempo a criança frequentou a escola;
- qual é seu nível atual de japonês;
- se possui alguma necessidade educacional específica.
Quanto mais informações a escola tiver, melhor poderá avaliar a adaptação.
E se a criança chegar ao Japão no meio do ano letivo?
O ano escolar japonês começa em abril, mas isso não significa que uma criança que chegue ao país depois desse período precise esperar pelo próximo ano letivo.
Existem procedimentos de transferência e ingresso durante o ano.
Para famílias que chegam do Brasil, isso é especialmente importante porque os calendários escolares dos dois países não coincidem.
A orientação correta é procurar o município assim que a residência estiver definida, apresentar a situação escolar da criança e solicitar orientação sobre o ingresso.
Evite decidir sozinho qual seria a “série equivalente” entre Brasil e Japão apenas comparando o nome das etapas escolares. Idade, histórico acadêmico e organização dos dois sistemas precisam ser considerados.
Existe atendimento em português?
Aqui é importante separar o que existe oficialmente do que está disponível em cada cidade.
O próprio MEXT disponibiliza seu Guia de Matrícula Escolar para Crianças Estrangeiras em português, além de versões em outros idiomas.
No nível municipal, entretanto, a disponibilidade de português não é uniforme.
Dados oficiais mais recentes do MEXT mostram justamente essa variação. Na pesquisa referente ao ano fiscal de 2025, entre os governos locais pesquisados que informaram produzir materiais de orientação escolar, 139 disponibilizavam conteúdo em português. Isso demonstra que o atendimento multilíngue existe, mas não permite afirmar que todas as prefeituras japonesas oferecem suporte em português.
Dependendo da cidade, podem existir:
- materiais traduzidos;
- intérpretes;
- funcionários multilíngues;
- serviços de tradução remota;
- apoio de associações internacionais.
Em outras localidades, o atendimento poderá ocorrer principalmente em japonês.
Por isso, vale consultar previamente o site da prefeitura ou perguntar diretamente à Secretaria de Educação quais recursos estão disponíveis.
Japonês do dia a dia
Secretaria/Conselho de Educação
教育委員会
Kyōiku Iinkai
Órgão local responsável por diferentes assuntos relacionados à educação pública, incluindo procedimentos de escolarização e indicação da escola em muitas situações.
Ao procurar a prefeitura para matricular seu filho, você poderá ser orientado a falar com a 教育委員会 (Kyōiku Iinkai).
Se estiver com dificuldade para encontrar o setor, você pode perguntar:
教育委員会はどこですか?
Kyōiku Iinkai wa doko desu ka?
“Onde fica a Secretaria de Educação?”
Tenha em mãos os documentos da criança e, se ela já estudava no Brasil ou em outro país, leve também os registros escolares disponíveis.
Orientação escolar oficial também está disponível em português
O Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia do Japão (MEXT) disponibiliza gratuitamente materiais de orientação escolar destinados a famílias estrangeiras, incluindo informações em português. Isso permite que pais e responsáveis consultem diretamente uma fonte oficial do governo japonês para compreender melhor procedimentos relacionados à educação e à matrícula escolar dos filhos.
Guia de matrícula escolar para crianças estrangeiras — MEXT →
Quanto custa estudar em uma escola pública no Japão?
Quando uma família ouve que a educação pública obrigatória no Japão é gratuita, é fácil imaginar que praticamente não haverá despesas escolares. Na realidade, é importante separar duas coisas: o que o sistema público oferece gratuitamente e os gastos que continuam fazendo parte da vida escolar.
No Shōgakkō e no Chūgakkō públicos, não há cobrança de mensalidade e os livros didáticos utilizados na educação obrigatória são fornecidos gratuitamente. O próprio MEXT mantém um sistema nacional de distribuição gratuita desses livros.
Isso representa uma diferença importante no orçamento familiar, mas não significa que mandar um filho para uma escola pública japonesa tenha custo zero.
Materiais escolares, alimentação, excursões, determinadas atividades e outras despesas podem continuar sendo responsabilidade dos responsáveis.
O que é gratuito e o que a família pode precisar pagar?
Para visualizar melhor essa diferença, podemos separar os principais gastos desta forma:
| Despesa | Escola pública de Shōgakkō / Chūgakkō |
|---|---|
| Mensalidade escolar | Não é cobrada |
| Livros didáticos oficiais | Gratuitos |
| Cadernos e materiais escolares | Podem ser pagos pela família |
| Merenda escolar | Pode haver cobrança |
| Excursões e atividades | Podem gerar despesas |
| Materiais complementares | Podem ser cobrados |
| Uniforme | Pode gerar despesas, principalmente no Chūgakkō |
| Clubes e atividades | Podem gerar despesas |
O guia do MEXT para estudantes estrangeiros também orienta que, embora não haja cobrança pelas aulas e pelos livros didáticos nas escolas públicas da educação obrigatória, existem despesas relacionadas à alimentação e aos materiais utilizados durante a vida escolar.
Por isso, é melhor evitar a frase genérica “a escola no Japão é gratuita”.
Uma descrição mais precisa seria:
O ensino público obrigatório não cobra mensalidade e fornece gratuitamente os livros didáticos oficiais, mas a família continua tendo outras despesas relacionadas à vida escolar.
Essa diferença parece pequena, mas evita uma expectativa equivocada para quem está planejando o orçamento familiar.

Quanto uma família realmente gasta?
Existe um dado oficial interessante para colocar esses custos em perspectiva.
O MEXT realiza periodicamente a 子供の学習費調査 (Kodomo no Gakushūhi Chōsa), pesquisa sobre os gastos educacionais das famílias.
Os dados corrigidos mais recentes disponíveis para o ano fiscal de 2023 mostram que o gasto médio anual total por criança foi de aproximadamente:
- ¥366.599 no Shōgakkō público;
- ¥542.450 no Chūgakkō público.
Mas esses números precisam ser interpretados corretamente.
Eles não representam uma mensalidade cobrada pela escola.
A pesquisa soma gastos relacionados à educação escolar e também despesas com atividades realizadas fora da escola. No Shōgakkō público, por exemplo, o levantamento corrigido aponta ¥74.336 de despesas diretamente relacionadas à educação escolar, ¥35.774 com alimentação escolar e ¥256.489 com atividades educacionais fora da escola. No Chūgakkō público, o total inclui ¥150.761 de despesas escolares, ¥35.671 com alimentação e ¥356.018 com atividades fora da escola.
Nessa última categoria podem entrar despesas que variam enormemente entre famílias, como juku (cursinhos), atividades extracurriculares e outros gastos educacionais fora da escola.
Portanto, não seria correto dizer que “uma criança custa ¥366 mil por ano na escola pública”.
O dado mostra algo diferente: quanto as famílias pesquisadas gastaram, em média, com a educação da criança dentro e fora da escola durante um ano.
Há ainda um cuidado metodológico importante: o MEXT corrigiu em janeiro de 2026 alguns valores originalmente publicados nas pesquisas de 2021 e 2023. Por isso, estamos utilizando aqui os números oficiais corrigidos, e não versões antigas que ainda podem aparecer em outros sites.
Algumas despesas aparecem logo no início do ano escolar
O início do ano letivo pode concentrar gastos.
Dependendo da escola e da série, os responsáveis podem precisar providenciar cadernos, materiais de escrita, itens para educação física, bolsas específicas, materiais para determinadas disciplinas e outros objetos indicados pela instituição.
No Chūgakkō, o uniforme também pode representar uma despesa relevante.
Não existe, porém, um preço nacional único que possamos apresentar como referência para todos esses itens. Escola, município, fornecedor e necessidades de cada série podem alterar os valores.
Por isso, para quem está preparando a entrada do filho na escola japonesa, uma medida simples ajuda bastante: peça antecipadamente a lista de materiais e confirme quais itens precisam realmente ser comprados.
Também vale evitar comprar tudo por conta própria antes de receber as orientações da escola. Alguns materiais podem ter especificações determinadas pela instituição.
Famílias com dificuldades financeiras podem ter direito a auxílio
Existe um sistema particularmente importante para famílias de baixa renda: o 就学援助 (Shūgaku Enjo).
O auxílio é destinado a apoiar crianças e estudantes cuja situação econômica dificulta a frequência escolar.
Entre os tipos de despesas que podem ser abrangidos pelo sistema estão materiais escolares, itens necessários no início da vida escolar, transporte, excursões, atividades externas, despesas médicas relacionadas a determinadas situações, alimentação escolar, atividades de clube, associação de pais e professores e outras categorias previstas.
Mas há uma informação fundamental para famílias estrangeiras:
os critérios concretos não são iguais em todo o Japão.
Para determinadas categorias de famílias, os municípios administram seus próprios programas de assistência e estabelecem os respectivos critérios. O próprio MEXT orienta os interessados a consultar a administração municipal sobre o funcionamento local do benefício.
Portanto, renda máxima, documentos exigidos, período de inscrição e despesas cobertas devem ser confirmados diretamente no município onde a família reside.
Japonês do dia a dia
Auxílio escolar
就学援助
Shūgaku Enjo
Sistema de assistência destinado a ajudar famílias que enfrentam dificuldades para arcar com determinadas despesas relacionadas à educação obrigatória.
Se você receber um documento com a expressão 就学援助 (Shūgaku Enjo), não descarte pensando que se trata apenas de um aviso escolar.
O documento pode estar relacionado a um programa de auxílio para despesas como materiais, merenda ou atividades escolares.
Caso sua família esteja passando por dificuldades financeiras, pergunte na escola ou na prefeitura:
就学援助について教えてください。Shūgaku Enjo ni tsuite oshiete kudasai.
“Por favor, poderia me explicar sobre o auxílio escolar?”
Depois, confirme os critérios da sua cidade, pois as condições de acesso podem variar entre municípios.
E quando a criança ainda não fala japonês?
Para muitas famílias brasileiras, essa é uma das maiores preocupações antes de colocar os filhos em uma escola japonesa.
A criança pode conversar pouco em japonês, ter acabado de chegar do Brasil ou até conseguir se comunicar com os colegas, mas ainda encontrar dificuldades para entender livros, provas e explicações dos professores.
Essas situações são diferentes.
O próprio Ministério da Educação do Japão considera que podem necessitar de orientação em japonês tanto os estudantes que ainda não conseguem manter adequadamente conversas cotidianas quanto aqueles que conseguem conversar, mas não possuem domínio suficiente da linguagem necessária para acompanhar as atividades acadêmicas da série.
Essa distinção é especialmente importante para famílias brasileiras. Uma criança pode parecer adaptada porque conversa e brinca em japonês, mas ainda precisar de apoio para compreender o idioma utilizado nas aulas.
Existe apoio de japonês dentro das escolas?
Sim, existem mecanismos para oferecer orientação específica aos estudantes que necessitam aprender japonês.
Um deles é a chamada 特別の教育課程 (Tokubetsu no Kyōiku Katei), ou “currículo especial”.
Nesse sistema, o estudante pode receber orientação em japonês adaptada às suas necessidades, inclusive fora da sala de aula regular durante parte do período escolar. O objetivo não é apenas ensinar conversação, mas desenvolver o japonês necessário para que a criança consiga participar da vida escolar e acompanhar as disciplinas.
Essa orientação pode trabalhar tanto o desenvolvimento da língua japonesa quanto conteúdos escolares adaptados ao nível de japonês e à aprendizagem do estudante.
Isso ajuda a entender por que o apoio escolar não deve ser visto simplesmente como uma “aula extra de japonês”.
O desafio é fazer com que o estudante consiga utilizar o idioma para aprender.

O apoio não funciona da mesma maneira em todo o Japão
Esse é um dos pontos em que precisamos evitar generalizações.
O MEXT possui políticas, materiais e mecanismos nacionais voltados à educação de estudantes estrangeiros, além de um guia específico para orientar escolas e administrações responsáveis pelo recebimento dessas crianças.
Na prática, porém, a estrutura disponível depende da escola e da região.
O próprio sistema nacional contempla diferentes formas de organização, e o MEXT acompanha aspectos como presença de profissionais de apoio ao japonês, auxiliares de língua materna, formação das Secretarias de Educação e outras políticas implementadas pelos governos locais.
Por isso, uma família brasileira não deve concluir que o atendimento encontrado por outra família em uma cidade estará automaticamente disponível onde ela mora.
Dependendo da região, o estudante poderá encontrar diferentes estruturas de apoio.
A pergunta mais útil para fazer à escola não é simplesmente:
“Tem professor de português?”
Mas:
“Que tipo de apoio existe para crianças que ainda estão aprendendo japonês?”
Isso amplia bastante as possibilidades de orientação.
Falar japonês no recreio não significa compreender uma prova
Existe uma diferença que merece atenção especial dos responsáveis.
Uma criança pode aprender relativamente rápido expressões utilizadas com amigos, instruções simples e conversas cotidianas. Isso não significa necessariamente que tenha desenvolvido o japonês necessário para estudar no mesmo nível dos colegas.
O MEXT inclui entre os estudantes que podem necessitar de orientação justamente aqueles que conseguem manter conversas cotidianas, mas apresentam insuficiência na linguagem acadêmica necessária para acompanhar as atividades escolares.
Imagine um aluno que consegue dizer aos colegas:
“Vamos jogar futebol?”
Isso demonstra capacidade de comunicação.
Mas interpretar um problema matemático, compreender um texto de ciências ou escrever uma resposta argumentativa exige outro repertório.
Para os responsáveis, essa diferença ajuda a evitar uma conclusão precipitada:
“Ele já fala japonês, então não precisa mais de apoio.”
Se as notas caírem ou a criança demonstrar dificuldade em determinadas disciplinas, vale conversar com a escola para entender se o problema está no conteúdo, no idioma acadêmico ou em uma combinação dos dois.
A família também precisa conseguir conversar com a escola
A adaptação linguística não envolve apenas a criança.
Reuniões com professores, comunicados, formulários, decisões sobre o futuro escolar e documentos enviados para casa podem ser difíceis para responsáveis que ainda não dominam o japonês.
O MEXT mantém materiais específicos sobre o recebimento de estudantes estrangeiros e disponibiliza orientações educacionais em diferentes idiomas. Também existem iniciativas locais de tradução e apoio, mas a disponibilidade desses recursos varia conforme a região.
Quando houver dificuldade de comunicação, o melhor caminho é informar isso diretamente à escola.
Não compreender um documento e simplesmente assiná-lo ou ignorá-lo pode fazer a família perder informações importantes sobre reuniões, atividades, pagamentos ou decisões relacionadas à trajetória escolar do filho.
Se necessário, pergunte se existe intérprete, material traduzido ou outro serviço de apoio oferecido pela escola ou pelo município.
Japonês do dia a dia
Orientação de língua japonesa
日本語指導
Nihongo Shidō
Orientação destinada a estudantes que precisam desenvolver o japonês necessário para participar da vida escolar e acompanhar as atividades de aprendizagem.
Se seu filho ainda estiver aprendendo japonês, pergunte à escola:
日本語指導はありますか?Nihongo shidō wa arimasu ka?
“Existe apoio/orientação de japonês?”
Se a criança já conversa normalmente, mas continua tendo dificuldade para acompanhar as matérias, explique isso também. O apoio pode ser relevante mesmo quando o problema não está na conversação cotidiana, mas no japonês utilizado para estudar.
A presença de crianças que precisam de apoio linguístico não é uma situação excepcional no sistema educacional japonês.
Na pesquisa mais recente, realizada pelo MEXT com referência a 1º de maio de 2025 e publicada em maio de 2026, o Ministério voltou a mapear estudantes que necessitam de orientação em japonês nas escolas japonesas, incluindo tanto alunos estrangeiros quanto estudantes de nacionalidade japonesa que necessitam desse apoio.
Isso também explica por que o governo mantém materiais específicos, pesquisas periódicas e políticas voltadas ao atendimento desses estudantes.
Para a família, a informação mais importante é simples: não presuma que a criança precisa enfrentar sozinha a barreira do idioma. Converse com a escola e descubra quais recursos realmente estão disponíveis no município.
Escola japonesa ou escola brasileira: o que considerar antes de escolher?
Para famílias brasileiras que vivem no Japão, escolher onde os filhos estudarão pode ser uma das decisões mais difíceis de todo o planejamento familiar.
De um lado está a escola japonesa, com imersão diária no idioma, convivência com a sociedade local e continuidade dentro do sistema educacional japonês. De outro, existem escolas brasileiras e outras instituições voltadas a estudantes estrangeiros, que podem oferecer ensino em português e maior proximidade com o currículo e a cultura de origem.
Não existe, porém, uma resposta universal para a pergunta “qual é melhor?”.
A decisão depende de fatores como idade da criança, domínio dos idiomas, tempo previsto de permanência no Japão, possibilidade de retorno ao Brasil, situação financeira e planos para o Ensino Médio ou universidade.
E há outro aspecto menos evidente, mas muito importante: o enquadramento legal da instituição escolhida e a validade de seu percurso escolar para os estudos que o aluno pretende fazer posteriormente.
A escola japonesa favorece a integração ao sistema educacional do país
Para famílias que pretendem permanecer no Japão por muitos anos, estudar em uma escola japonesa oferece uma vantagem bastante clara: a criança percorre diretamente o sistema educacional no qual provavelmente continuará estudando.
Isso facilita a continuidade entre Shōgakkō, Chūgakkō e Kōkō, além de colocar o estudante em contato diário com o japonês utilizado nas aulas, documentos, avaliações e relações sociais.
A convivência cotidiana também pode favorecer a familiaridade com regras, horários, atividades escolares e outras características da sociedade japonesa.
Mas isso não significa que a adaptação seja automaticamente simples.
Como vimos na seção anterior, estudantes estrangeiros podem conversar em japonês e ainda apresentar dificuldades com a linguagem acadêmica. Para uma criança que chega ao país em uma série mais avançada, essa diferença pode ter impacto importante na aprendizagem e nas decisões sobre o futuro escolar.
Por isso, escolher a escola japonesa apenas com o argumento de que “a criança aprenderá japonês naturalmente” simplifica demais uma questão que envolve idioma, aprendizagem e adaptação.

E a escola brasileira?
No Japão existem instituições destinadas principalmente a crianças estrangeiras, entre elas escolas que atendem a comunidade brasileira.
Aqui é preciso fazer uma distinção importante.
“Escola estrangeira” não corresponde a uma única categoria jurídica no Japão. O próprio MEXT explica que essas instituições podem possuir enquadramentos diferentes: algumas são reconhecidas como escolas nos termos do artigo 1º da Lei de Educação Escolar, outras funcionam como 各種学校 (Kakushu Gakkō) — categoria de escola diversa — e também existem instituições sem esse reconhecimento.
Em maio de 2024, havia 124 escolas estrangeiras reconhecidas como Kakushu Gakkō no Japão, segundo o MEXT. Isso inclui instituições de diferentes comunidades e não significa que todas sejam brasileiras.
Para uma família brasileira, portanto, não basta saber que determinada instituição oferece aulas em português.
É necessário perguntar:
- qual é o enquadramento da escola no Japão;
- qual currículo ela utiliza;
- quais etapas de ensino oferece;
- como funciona a continuidade dos estudos;
- quais qualificações o aluno terá ao concluir o curso;
- como será uma eventual transferência para outra instituição;
- quais são as mensalidades e demais despesas.
Essas perguntas se tornam ainda mais importantes quando a família pensa no Ensino Médio ou na universidade.
O projeto de vida da família precisa entrar na decisão
O material do próprio projeto Japão Real sobre educação já apontava um critério útil: a escolha entre escola japonesa e brasileira deve considerar o projeto de vida da família, e não apenas a facilidade imediata de adaptação.
Essa orientação continua válida.
Uma família que pretende permanecer definitivamente no Japão enfrenta uma realidade diferente daquela que planeja voltar ao Brasil dentro de dois ou três anos.
Da mesma forma, uma criança que iniciou sua escolarização no Japão aos seis anos está em situação diferente de um adolescente que chega ao país próximo da conclusão do Ensino Fundamental.
Por isso, algumas perguntas ajudam mais do que simplesmente comparar as escolas:
Onde a família imagina estar daqui a cinco anos?
Em qual país o estudante provavelmente continuará sua formação?
Qual idioma ele precisará utilizar academicamente?
A escola escolhida mantém abertas as possibilidades educacionais previstas pela família?
O plano pode mudar — e frequentemente muda. Ainda assim, pensar nessas questões reduz o risco de descobrir tarde demais que determinada escolha tornou a próxima etapa mais complicada.
Verifique a continuidade dos estudos antes da matrícula
Esse é provavelmente o ponto mais importante desta seção.
As condições de acesso às etapas seguintes do sistema japonês dependem da trajetória educacional do estudante.
Para ingresso no Kōkō japonês, por exemplo, o MEXT reconhece como uma das qualificações a conclusão do Chūgakkō. Também existem outras possibilidades, como ter concluído nove anos de educação escolar no exterior ou atender a outras condições de equivalência previstas nas regras de ingresso.
Para a universidade, as regras também possuem diferentes caminhos. Entre eles estão a conclusão de um Kōkō japonês, a conclusão de 12 anos de educação escolar regular no exterior, determinados cursos reconhecidos e outras qualificações previstas pelo MEXT.
Há ainda instituições estrangeiras localizadas dentro do Japão que foram especificamente designadas pelo MEXT como equivalentes ao nível de Ensino Médio estrangeiro para fins de qualificação de ingresso universitário. A lista oficial inclui algumas instituições brasileiras.
Isso demonstra por que não é seguro fazer uma afirmação genérica como:
“Quem estuda em escola brasileira pode entrar normalmente em qualquer universidade japonesa.”
Também seria incorreto afirmar o contrário.
A situação depende da instituição, do curso concluído, do reconhecimento aplicável e dos requisitos da etapa seguinte.
Antes de matricular um adolescente em uma escola brasileira ou estrangeira, especialmente quando existe intenção de continuar os estudos no Japão, confirme diretamente com a instituição e com a escola ou universidade pretendida quais qualificações serão reconhecidas.
Português ou japonês? A escolha não precisa significar abandonar um idioma
Existe ainda uma questão que ultrapassa a matrícula escolar.
Uma criança brasileira que cresce no Japão pode precisar desenvolver o japonês para estudar, trabalhar e participar da sociedade japonesa sem que isso signifique perder o português utilizado dentro da família.
O inverso também merece atenção: frequentar uma instituição em português não elimina a importância de desenvolver japonês suficiente para viver no país.
Por isso, reduzir a decisão a “português ou japonês” pode criar uma falsa escolha.
O mais útil é pensar nas necessidades linguísticas da criança a médio e longo prazo.
Para famílias que pretendem permanecer no Japão, o japonês acadêmico ganha importância crescente conforme o estudante avança para o Chūgakkō, Kōkō e ensino superior.
Ao mesmo tempo, preservar o português pode manter a comunicação familiar, o vínculo cultural e possibilidades futuras relacionadas ao Brasil.
A maneira de equilibrar os dois idiomas dependerá da história e dos planos de cada família.
Japonês do dia a dia
Escola para estrangeiros
外国人学校
Gaikokujin Gakkō
Expressão utilizada no Japão para se referir, de maneira ampla, a instituições educacionais destinadas principalmente a crianças e estudantes estrangeiros. Essas escolas podem possuir diferentes enquadramentos legais.
Ao pesquisar uma escola brasileira, encontrar a expressão 外国人学校 (Gaikokujin Gakkō) não informa, por si só, qual é o reconhecimento daquela instituição.
Pergunte também:
学校の認可について教えてください。Gakkō no ninka ni tsuite oshiete kudasai.
“Poderia me explicar sobre o reconhecimento/autorização da escola?”
Para estudantes próximos do Ensino Médio ou da universidade, confirme também se o curso concluído fornecerá a qualificação necessária para a próxima etapa.
O MEXT mantém uma lista oficial de instituições localizadas no Japão designadas como equivalentes a escolas estrangeiras de Ensino Médio para determinadas regras de ingresso no ensino superior.
A relação inclui algumas escolas brasileiras, mas a designação é feita por instituição e curso — portanto, não deve ser automaticamente estendida a toda escola brasileira existente no Japão.
Essa é uma consulta especialmente importante para famílias com filhos adolescentes que pretendem posteriormente ingressar em uma universidade japonesa.
Depois do Chūgakkō: Kōkō, formação profissional e universidade
A conclusão do Chūgakkō marca uma mudança importante no percurso educacional japonês. A partir desse momento, o estudante deixa a etapa obrigatória e precisa decidir qual caminho pretende seguir.
Para muitas famílias brasileiras, é justamente aqui que o sistema começa a parecer mais complicado.
O estudante pode tentar ingressar em um 高等学校 (Kōtō Gakkō), normalmente chamado de 高校 (Kōkō), procurar uma formação profissional ou, posteriormente, seguir para universidade. Existem ainda outras modalidades e trajetórias possíveis.
Não é necessário que uma criança tenha todo o futuro profissional definido nessa idade. Mas compreender as opções com antecedência ajuda a família a tomar decisões mais conscientes — especialmente quando o estudante ainda está desenvolvendo o japonês acadêmico.
O Kōkō não faz parte da escolaridade obrigatória
O Kōkō corresponde aproximadamente ao Ensino Médio brasileiro e normalmente possui duração de três anos.
Existe, porém, uma diferença importante em relação à passagem do Shōgakkō para o Chūgakkō: o ingresso no Kōkō exige um processo de admissão.
As condições e formas de seleção variam conforme a escola e a região. Por isso, durante o Chūgakkō, principalmente no terceiro ano, estudantes e responsáveis começam a receber orientações sobre escolas disponíveis, processos seletivos e 進路 (Shinro), o caminho educacional ou profissional a seguir.
Para estudantes estrangeiros, planejamento antecipado é ainda mais importante.
Dificuldades com japonês podem afetar não apenas o acompanhamento das aulas, mas também a compreensão das orientações, dos documentos e das exigências relacionadas ao ingresso no Ensino Médio.

O Ensino Médio também envolve custos
Como o Kōkō está fora dos nove anos da escolaridade obrigatória, é importante não aplicar automaticamente a ele as mesmas regras que vimos para Shōgakkō e Chūgakkō.
Ao mesmo tempo, o Japão possui mecanismos públicos para reduzir os custos das famílias.
E aqui há uma mudança importante ocorrida em 2026.
Desde abril de 2026, entrou em vigor a reforma do 高等学校等就学支援金 (Kōtō Gakkō-tō Shūgaku Shienkin), sistema nacional de apoio às mensalidades do Ensino Médio e de outras instituições elegíveis.
A reforma retirou o limite de renda para o benefício principal e ampliou os valores máximos de apoio. Para escolas de Ensino Médio em período integral, por exemplo, o limite mensal previsto é de ¥9.900 nas escolas públicas e ¥38.100 nas privadas, dentro das regras do sistema.
Isso, porém, exige uma explicação importante para famílias brasileiras:
“Ensino Médio gratuito” não significa necessariamente que todas as despesas escolares desapareceram.
O programa é direcionado principalmente ao custo das mensalidades. Uniforme, transporte, materiais, excursões e outras despesas podem continuar existindo.
Além disso, em 2026 houve alterações nos critérios relacionados a nacionalidade, situação de residência e determinadas escolas estrangeiras. O MEXT publicou procedimentos específicos para estudantes que não possuem nacionalidade japonesa e também estabeleceu regras transitórias e outras formas de apoio para alguns casos.
Por isso, famílias estrangeiras não devem presumir automaticamente que terão direito ao mesmo tratamento em qualquer situação.
A elegibilidade deve ser confirmada com a escola de interesse considerando a situação de residência do estudante e as regras vigentes no momento da matrícula.
Senmon Gakkō: formação voltada para uma profissão
Depois do Kōkō, nem todo estudante precisa seguir para uma universidade.
Uma alternativa bastante presente no sistema japonês é a 専門学校 (Senmon Gakkō).
Segundo o MEXT, essas instituições fazem parte do ensino superior e oferecem formação prática voltada ao desenvolvimento de conhecimentos, técnicas e qualificações necessárias para diferentes profissões. Os cursos possuem durações variadas, sendo dois anos uma duração bastante comum.
Entre as áreas encontradas nesse tipo de instituição estão saúde, tecnologia, informática, hotelaria, culinária, design, cuidados pessoais e diversas outras formações profissionais.
Dados oficiais do ano fiscal de 2025 mostram a dimensão dessa alternativa: 23,1% dos recém-formados no Kōkō seguiram para Senmon Gakkō, segundo estatísticas apresentadas pelo MEXT.
Para famílias brasileiras, isso é importante porque evita uma visão limitada de que existem apenas dois caminhos:
universidade ou mercado de trabalho.
O sistema japonês oferece outras possibilidades de formação.
Antes da matrícula, porém, é necessário verificar cuidadosamente se a instituição é reconhecida, qual qualificação será obtida, duração, custos e possibilidades profissionais depois da conclusão.
E para entrar em uma universidade japonesa?
A universidade (大学 – Daigaku) constitui outro caminho possível depois do Ensino Médio.
Os cursos de graduação normalmente possuem quatro anos, embora existam exceções relacionadas à área de formação.
Para ingressar, o estudante precisa possuir uma das qualificações reconhecidas pelo sistema japonês. Entre os caminhos previstos pelo MEXT estão a conclusão do Kōkō japonês e determinadas formações equivalentes realizadas no exterior.
Como vimos na seção anterior, essa questão merece atenção especial quando o estudante frequenta uma escola estrangeira no Japão.
O simples fato de uma instituição funcionar no país ou oferecer currículo brasileiro não permite concluir automaticamente que qualquer curso dará acesso a qualquer universidade japonesa.
A qualificação precisa ser verificada de acordo com a trajetória educacional do estudante e com os requisitos aplicáveis à instituição de ensino superior pretendida.
Além disso, universidades podem possuir seus próprios processos seletivos.
Por isso, para adolescentes que pretendem seguir para o ensino superior, o planejamento deve começar antes da conclusão do Kōkō.
Universidade não é a única medida de sucesso escolar
Para famílias estrangeiras, existe uma tentação compreensível de buscar uma resposta simples:
“Qual caminho dará mais oportunidades para meu filho?”
Mas a resposta depende do estudante.
Universidade, Senmon Gakkō e outras formas de qualificação atendem objetivos diferentes.
Um jovem interessado em uma profissão técnica pode encontrar em uma formação especializada um percurso mais adequado do que ingressar em uma universidade apenas porque essa opção parece socialmente mais valorizada.
Da mesma maneira, determinados objetivos profissionais exigem formação universitária específica.
O mais importante é que a escolha considere:
- interesses do estudante;
- capacidade acadêmica;
- domínio do japonês;
- custos;
- qualificação obtida;
- profissão desejada;
- possibilidades de continuidade dos estudos.
Essa conversa deve envolver o estudante.
Afinal, escolher uma escola não é apenas decidir onde ele passará os próximos anos. É começar a construir um caminho que precisa fazer sentido para a vida que ele pretende desenvolver.
Japonês do dia a dia
Exame de admissão
受験
Juken
Expressão muito utilizada para se referir à realização de exames ou processos seletivos de ingresso em escolas e universidades.
Quando seu filho estiver se aproximando do final do Chūgakkō, palavras relacionadas a 受験 (Juken) começarão a aparecer com maior frequência.
Você também poderá ouvir:
高校受験 (Kōkō Juken) — processo seletivo para o Ensino Médio.Se a família ainda tiver dificuldade com japonês, não espere o período das provas para pedir ajuda. Converse antecipadamente com o professor responsável sobre escolas possíveis, calendário, documentos e processo de seleção.
Desde abril de 2026, o sistema japonês de apoio às mensalidades do Ensino Médio passou por uma mudança relevante, com a retirada do limite de renda do benefício principal e aumento dos limites de apoio.
Para brasileiros residentes no Japão, porém, é importante consultar as regras atuais antes de planejar os custos do Kōkō. A reforma também modificou aspectos relacionados à elegibilidade de estudantes estrangeiros e escolas estrangeiras, e o MEXT possui orientações específicas para esses casos.
Essa fonte atualizada de 2026 será incluída no bloco Fontes e referências ao final do artigo.
Educação para adultos: o que são as Yakan Chūgaku?
O sistema educacional japonês não atende apenas crianças e adolescentes. Existe também uma alternativa pouco conhecida entre brasileiros: as 夜間中学 (Yakan Chūgaku), escolas públicas de nível equivalente ao Chūgakkō que funcionam principalmente no período noturno.
Elas foram criadas originalmente para pessoas que, por diferentes circunstâncias, não conseguiram concluir adequadamente a educação obrigatória. Com o passar do tempo, passaram a desempenhar uma função mais ampla, atendendo também estrangeiros, pessoas que concluíram formalmente o Chūgakkō sem ter recebido educação suficiente e outros estudantes que precisam retomar essa etapa de aprendizagem.
Esse papel ganhou importância à medida que o Japão passou a tratar com mais atenção o direito de acesso à educação independentemente da idade ou nacionalidade.
Hoje, o MEXT informa que existem 69 Yakan Chūgaku instaladas em 44 prefeituras e cidades designadas, e o governo continua incentivando a ampliação da rede.
Quem pode estudar em uma escola noturna?
As Yakan Chūgaku não devem ser confundidas com cursos livres de japonês realizados à noite.
Elas fazem parte do sistema escolar e oferecem educação correspondente ao nível de Chūgakkō.
O guia oficial do MEXT explica que essas escolas podem desempenhar um papel importante para pessoas que:
- ultrapassaram a idade escolar sem concluir a educação obrigatória;
- por diferentes motivos receberam educação insuficiente durante os anos escolares;
- desejam retomar os estudos depois de terem concluído formalmente o Chūgakkō em circunstâncias especiais;
- são estrangeiras e não concluíram a educação obrigatória no país de origem ou no Japão.
O Ministério também orienta que estrangeiros que já ultrapassaram a idade escolar e não concluíram a educação obrigatória podem, dependendo da situação e da decisão da Secretaria de Educação, ser aceitos em escolas públicas de Chūgakkō. Nos municípios que possuem Yakan Chūgaku, essa possibilidade também deve ser apresentada aos interessados.
Isso torna esse sistema particularmente relevante para alguns residentes estrangeiros que chegaram ao Japão já adultos.

O ensino vai além de aprender japonês
Para muitos estudantes estrangeiros, aprender japonês é uma parte importante da experiência nas Yakan Chūgaku.
No entanto, o objetivo dessas escolas não é simplesmente oferecer aulas de idioma.
O documento do MEXT destaca que elas podem organizar o currículo de acordo com a situação dos estudantes e oferecer conteúdos equivalentes à educação obrigatória, inclusive retomando conteúdos de nível do Shōgakkō quando necessário. Também podem desenvolver orientação específica de japonês para alunos estrangeiros.
Isso significa que uma pessoa que teve pouca escolarização pode reconstruir conhecimentos básicos de matemática, língua japonesa, ciências e outras disciplinas dentro de uma estrutura escolar.
O levantamento do MEXT citado no documento também ajuda a compreender essa realidade. Entre estudantes estrangeiros das escolas noturnas pesquisadas, uma das principais razões declaradas para a matrícula era aprender a falar japonês, ao lado da necessidade de adquirir formação equivalente ao Chūgakkō.
Para quem vive no Japão há anos, mas encontrou limitações por falta de escolarização ou domínio insuficiente do idioma, essa possibilidade pode abrir caminhos que vão além da sala de aula.
Existe idade máxima para estudar?
A própria finalidade das Yakan Chūgaku é atender pessoas que já ultrapassaram a idade normal da educação obrigatória.
Por isso, há estudantes de diferentes faixas etárias.
No levantamento do MEXT referente ao ano fiscal de 2022, havia alunos adolescentes, adultos e idosos matriculados nas escolas noturnas. Naquele momento, 23% dos estudantes tinham 60 anos ou mais, enquanto alunos entre 16 e 19 anos representavam 20% do total.
Esses números são históricos e não devem ser tratados como retrato estatístico de 2026, mas ilustram bem a diversidade de público atendida pelo sistema.
A idade, portanto, não deve ser vista isoladamente como impedimento.
O que precisa ser verificado são os critérios de matrícula da escola pretendida e da administração responsável.
Os requisitos de matrícula podem variar
Esse é um ponto em que não devemos apresentar uma regra nacional simplificada.
Embora exista uma política nacional para ampliar o acesso às Yakan Chūgaku, cada escola pode possuir critérios relacionados à residência, histórico escolar, idade e situação educacional do candidato.
No levantamento de 2022 analisado pelo MEXT, por exemplo, algumas escolas restringiam a matrícula a residentes da própria prefeitura ou região administrativa.
Como a rede está se expandindo rapidamente, informações antigas sobre localização ou requisitos podem deixar de ser válidas.
O MEXT mantém atualmente uma página específica com a relação das Yakan Chūgaku existentes e em implantação, incluindo contatos das escolas.
Por isso, quem estiver interessado deve consultar primeiro a lista atual e depois entrar em contato com a escola ou com a Secretaria de Educação responsável.
Uma segunda oportunidade de escolarização
Para brasileiros, talvez o aspecto mais importante das Yakan Chūgaku seja compreender que elas não foram criadas como um sistema de ensino “inferior”.
A legislação japonesa sobre garantia de oportunidades educacionais parte do princípio de que o acesso à educação deve ser considerado independentemente da idade, nacionalidade ou circunstâncias pessoais. O documento do MEXT explica que governos locais têm responsabilidade de promover oportunidades para pessoas que não tiveram acesso adequado à educação obrigatória.
Na prática, isso pode significar uma nova oportunidade para quem interrompeu os estudos ainda jovem ou chegou ao Japão sem ter concluído a escolaridade básica.
O aprendizado também pode ter consequências concretas para a vida cotidiana: maior domínio do japonês, mais autonomia para lidar com documentos e serviços, possibilidade de continuar estudando e melhores condições para participar da sociedade japonesa.
Japonês do dia a dia
Escola noturna de Ensino Fundamental
夜間中学
Yakan Chūgaku
Escola que oferece educação equivalente ao nível de Chūgakkō principalmente no período noturno, destinada a pessoas que não tiveram oportunidade adequada de concluir ou receber a educação obrigatória.
Se você ou alguém da sua família não concluiu adequadamente a escolaridade básica, procure pela expressão 夜間中学 (Yakan Chūgaku) no site da prefeitura ou da Secretaria de Educação.
Antes de ir diretamente à escola, confirme os requisitos de matrícula e a área atendida, pois as condições podem variar entre instituições.
O número de Yakan Chūgaku vem aumentando no Japão. Dados do MEXT referentes ao ano fiscal de 2022 registravam 40 escolas em 15 prefeituras. Atualmente, o Ministério informa a existência de 69 escolas em 44 prefeituras e cidades designadas.
Como a rede continua em expansão, quem procura uma escola noturna deve consultar a relação mais recente disponibilizada pelo MEXT e confirmar diretamente as condições de matrícula da instituição desejada.
Conclusão da seção
No fim das contas, entender a educação no Japão é também entender quais caminhos estarão disponíveis para os filhos ao longo dos próximos anos.
Da escolha entre Hoikuen e Yōchien aos primeiros anos no Shōgakkō, cada etapa traz dúvidas diferentes para as famílias brasileiras. Mais tarde, entram em cena a adaptação ao japonês e decisões sobre Kōkō, formação profissional ou universidade.
Conhecer o funcionamento do sistema com antecedência ajuda a evitar decisões baseadas apenas na experiência de outras pessoas ou em informações que podem não se aplicar à cidade onde a família vive.
Sempre que surgir uma dúvida sobre matrícula, custos, apoio linguístico ou continuidade dos estudos, procure a escola, a Secretaria de Educação do município e as orientações oficiais do MEXT.
Confira abaixo as respostas para as perguntas mais frequentes sobre escolas, matrícula, custos e educação de crianças estrangeiras no Japão.
Dúvidas sobre educação e escolas no Japão
Confira as respostas para algumas das dúvidas mais comuns de famílias brasileiras sobre matrícula, custos, idioma e continuidade dos estudos no Japão.
Crianças estrangeiras podem estudar em escolas públicas japonesas?
Sim. Crianças estrangeiras residentes no Japão podem ser matriculadas nas escolas públicas de Shōgakkō e Chūgakkō quando os responsáveis desejarem que elas frequentem o sistema educacional japonês.
O MEXT orienta que essas crianças tenham acesso gratuito à educação pública obrigatória, assim como as crianças japonesas. Para iniciar o procedimento, os responsáveis devem procurar a prefeitura ou a Secretaria de Educação responsável pela região onde vivem.
A escola pública é totalmente gratuita no Japão?
Não. No Shōgakkō e no Chūgakkō públicos não são cobradas mensalidades escolares, e os livros didáticos oficiais utilizados na educação obrigatória são fornecidos gratuitamente.
Entretanto, podem existir despesas com merenda, cadernos, materiais, uniforme, excursões, clubes e outras atividades. Os valores variam conforme a escola, o município e as atividades realizadas pelo estudante.
Meu filho precisa falar japonês para entrar em uma escola japonesa?
A falta de domínio do japonês não impede, por si só, que uma criança estrangeira seja matriculada em uma escola pública japonesa.
Existem mecanismos de orientação de língua japonesa para estudantes que necessitam desse apoio. A estrutura disponível, entretanto, não é igual em todas as escolas e municípios. Os responsáveis devem perguntar diretamente quais recursos são oferecidos na região.
Como faço para matricular meu filho em uma escola japonesa?
O procedimento normalmente começa junto ao município. Depois de registrar o endereço da família, procure a prefeitura ou a Secretaria de Educação (教育委員会 — Kyōiku Iinkai) e informe que deseja matricular a criança em uma escola pública.
O município fornecerá as orientações sobre a escola correspondente, os documentos necessários e as etapas seguintes. Os procedimentos concretos podem variar conforme a administração local.
Uma criança pode entrar na escola japonesa no meio do ano?
Sim. Embora o ano letivo japonês normalmente comece em abril e termine em março do ano seguinte, existem procedimentos para crianças que chegam ao Japão durante o ano escolar.
A família deve procurar o município assim que definir sua residência e apresentar informações sobre a escolarização anterior da criança para receber orientação sobre o ingresso.
Qual é a diferença entre Hoikuen e Yōchien?
O Hoikuen está relacionado principalmente ao cuidado infantil para famílias que necessitam desse serviço, enquanto o Yōchien integra o sistema educacional e funciona como jardim de infância antes do ingresso no Shōgakkō.
Existe ainda o Nintei Kodomoen, que combina funções de educação e cuidado infantil. Critérios de ingresso, horários e procedimentos devem ser confirmados junto ao município e à instituição escolhida.
Hoikuen e Yōchien são gratuitos no Japão?
Existe uma política nacional de gratuidade para determinadas modalidades de educação e cuidado infantil. Em regra, ela abrange crianças das classes de 3 a 5 anos em instituições elegíveis.
Para crianças de 0 a 2 anos, existem condições específicas, incluindo situações relacionadas à tributação da família. Além disso, alimentação, transporte, eventos e outros serviços podem continuar sendo cobrados.
É melhor colocar meu filho em uma escola japonesa ou brasileira?
Não existe uma escolha que seja melhor para todas as famílias. A decisão deve considerar idade da criança, domínio do português e do japonês, tempo previsto de permanência no Japão e os planos para a continuidade dos estudos.
Ao considerar uma escola brasileira ou outra instituição estrangeira, também é importante verificar seu enquadramento, currículo e quais qualificações o estudante terá para prosseguir posteriormente para o Ensino Médio, formação profissional ou universidade.
Existe auxílio para famílias que não conseguem pagar as despesas escolares?
Existe o auxílio escolar conhecido como 就学援助 (Shūgaku Enjo), destinado a apoiar famílias que enfrentam dificuldades para arcar com determinadas despesas relacionadas à educação obrigatória.
Os critérios, documentos, período de inscrição e despesas cobertas podem variar conforme o município. Consulte a escola, a prefeitura ou a Secretaria de Educação da sua cidade.
O Kōkō é obrigatório no Japão?
Não. A educação obrigatória japonesa corresponde aos seis anos de Shōgakkō e aos três anos de Chūgakkō.
O Kōkō está fora dessa etapa obrigatória e possui processo de admissão. Por isso, principalmente durante o terceiro ano do Chūgakkō, estudantes e responsáveis começam a planejar com maior atenção os próximos passos.
Existe apoio para pagar o Kōkō?
Sim. O Japão possui um sistema nacional de apoio às mensalidades do Ensino Médio e de outras instituições elegíveis.
As regras foram alteradas em 2026, inclusive em aspectos relacionados à elegibilidade. Famílias estrangeiras devem verificar as condições vigentes para sua situação de residência e para a escola pretendida antes de calcular os custos.
Um adulto estrangeiro pode voltar a estudar no Japão?
Sim. Uma das possibilidades são as 夜間中学 (Yakan Chūgaku), escolas que oferecem educação equivalente ao nível de Chūgakkō principalmente no período noturno.
Elas podem atender, entre outros públicos, estrangeiros que não concluíram adequadamente a educação obrigatória. Como os critérios de matrícula e a disponibilidade variam conforme a região, o interessado deve consultar a relação atualizada do MEXT e a Secretaria de Educação responsável.
Fontes e referências
Informações verificadas a partir das seguintes fontes oficiais:
- Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia do Japão (MEXT) — Guia de matrícula escolar para crianças estrangeiras
- Children and Families Agency (こども家庭庁) — Gratuidade da educação e dos cuidados na primeira infância
- Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia do Japão (MEXT) — Sistema de fornecimento gratuito de livros didáticos da educação obrigatória
- Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia do Japão (MEXT) — Sistema de auxílio escolar — Shūgaku Enjo
- Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia do Japão (MEXT) — Estudantes que necessitam de orientação de língua japonesa
- Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia do Japão (MEXT) — Orientação de japonês por meio de currículo educacional especial
- Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia do Japão (MEXT) — Informações oficiais sobre escolas para estrangeiros no Japão
- Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia do Japão (MEXT) — Apoio financeiro para estudantes do Ensino Médio
- Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia do Japão (MEXT) — Informações sobre Senmon Gakkō e formação profissional
- Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia do Japão (MEXT) — Requisitos de qualificação para ingresso em universidades japonesas
- Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia do Japão (MEXT) — Yakan Chūgaku — escolas públicas noturnas e expansão da rede

Família e Educação
Especialista em educação, cotidiano familiar e adaptação de brasileiros no Japão.